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Sexta-feira, Setembro 19, 2008
O balde que havia enchido com água ao longo do percurso escorregou e caiu em cima de seu pé. PÁ! Lá se foram os dedinhos. Rolando por uma ribanceira, o dedão de tantas unhas encravadas entalou-se em um estreito buraco de esgoto que outrora era o causador de alagamentos na região. O efeito foi imediato. Torrentes jorraram mais fortes das pias e chuveiros da vizinhança, e um cachorro que trotava por ali teve que procurar outra poça para matar sua sede - não achou e endoideceu, mordendo, naquela noite, a bunda de uma das vizinhas, que sequer se deu conta do fato, de tão insignificante que o era o cão. Por sua vez, o dedo médio flutuou pela piscina recém formada e escorregou, por entre filetes, até um piquenique próximo. Foi engolido, na sequência, por uma criança, que felizmente não se engasgou. Indagado o infante sobre o motivo de brincar, dias depois, com um dedo putrefado em meio a uma guerra de soldadinhos, alegou que havia achado o novo brinquedo no pinico, em meio a restos de milho e de caquinha, que evidentemente não lhe instigaram o mesmo interesse. Foi presenteada, assim, com nove anos de castigo. Entremeios, anelar e indicador, desesperados com o ocorrido, decidiram unir forças e costuraram-se um ao outro. Instantes depois descobriram a realidade da situação. Estavam livres de um corpo controlador e de idéias malucas. Mas o entendimento veio tarde, pois agora a submissão era de um para com o outro. Na ânsia de se soltarem, bateram dedos e, inesperadamente, acabaram por alçar vôo. Nunca mais foram vistos nem em céu nem em terra. O destino do mindinho foi o mais corriqueiro e inexpressivo. Seu dono o recuperou, colocando-o no lugar. Sozinho, o minúsculo carregou o balde vazio de volta à toca.
postado por Felipe às
1:56 AM
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