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Terça-feira, Janeiro 23, 2007
Levantando de baixo da cama vi o mamilo dela cair ao meu lado. "Catso!", eu pensaria. Mas na ocasião agi naturalmente, pegando-o com meus dedos. O desfecho é incerto, mas talvez teria o levado à boca e feito daquilo uma espécie de chupeta. Seria esquisito, mas se tivesse um gosto equivalente à dona, não haveria como não provar de vez em quando. Assim, fiquei com vontade de, vez ou outra, pegar emprestadas essa e também outras partes. Com a intenção de devolvê-las, é claro. Quanto antes, até! Pois qualquer tipo de resquício não se compararia à totalidade. Mas seria assim nos dias de ausência, carregando pedacinhos por aí. Levaria os olhos ao cinema, para depois discutir. Poderia até escondê-los em lugares indevidos para espionar ou então amarrá-los em cordinhas e girar, para posteriormente perguntar como é a sensação. Com os lábios poderia ousar, mas o melhor mesmo seria ouvir ternas palavras em meus ouvidos. Se cansasse de segurá-los ali do lado da cabeça, evidentemente colocaria-os em uma latinha que prenderia com fita crepe... Ou melhor! Com algum tipo de laço, assim ficaria parecendo um walkman. Nesse caso só não poderia ganhar beijo de orelha, pois poderia ficar atordoado e sofrer algum tipo de acidente. A não ser se estivesse também carregando uma ou duas mãos emprestadas. Elas poderiam me ajudar em um momento de urgência ou distração. Além de que seria ótimo sempre poder andar de mãos dadas por aí. E duplamente, ainda por cima. Uma de cada lado! Eu também poderia pegar algumas pintinhas. Se houvesse tantas, nenhuma falta seria sentida. Colocaria uma em cada parte do meu corpo, para invariavelmente ter de olhá-las e relembrar de onde vieram. Poderia até escrever com elas algo em meu braço, ou então escondê-las por minha pele para depois terem de ser recuperadas. Com os ouvidos eu viveria divagando (e tirando cera), com os pés, massageando (e cuidando de unhas encravadas). Cada minuciosidade estaria bem comigo. Uma relação pautada apenas no proveito valeria pouco se não houvesse um mínimo de apoio mútuo. Assim, de posse de um braço quebrado, este ficaria imóvel, pois guardaria-o confortavelmente em um dos meus armários cinco estrelas. Estaria disponível para cuidar e aceitar cada extensão quadrada de pele, cada pêlo, fio e cada mililitro de sangue (quem sabe até uma única hemoglobina). Seria um relacionamento e tanto, comigo carregando furtivamente possíveis espinhas, cabelos manchados ou com caspa e casquinhas de machucado por aí. Realmente o seria, pois, apesar disso, teria-a sempre ao meu lado, seja em uma molécula, seja em todas as moléculas, por inteiro. Até o dia em que ela confiaria o suficiente em mim para não apenas emprestar, mas para me presentear com seu leve e descontraído coração.
Divagando melosamente antes de ser impelido a invariavelmente destroçar Viviana.
postado por Felipe às
2:11 AM
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