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Domingo, Fevereiro 26, 2006
Doei uma penca de coisas! Roupas, mais de 300 revistas de videogames, uns 100 gibis infantis, um controle-volante do N64 com pedal, um teclado bacanérrimo e um cofrinho rosa em forma de privada, da qual sai uma mão fantasmagórica para pegar as moedas. Ainda há mais coisas para doar, como playboys, manuais de instruções, guias da semana de décadas passadas, revistinhas Herói (Gold, Best, Mini, Games, Som e todas as outras variantes), mas ainda estou separando.
Mudei de apartamento, então estou desenterrando muita coisa e vendo se vale a pena guardar. Tem muita tranqueira! Guarda-se tudo isso para que, afinal? O destino é o limbo! É interessante enquanto é novo e está em uso, mas depois que é colocado no armário se esquece. Com as pessoas às vezes é assim, também. Colocamo-nas guardadas em gavetas, dentro de uma agendas de telefones, e está tudo bem (ou adicionamo-nas no Orkut, MSN etc - há diversos exemplos). Estão ao alcance para quando precisarmos. Mas esse dia não chega, o tempo passa e tudo muda. Ao abrir a gaveta de novo, só há pó e recordações. A realidade é outra e aquela pessoa ou objeto não fazem mais parte dela. Elas se foram. Estão defasadas, quebradas, vencidas, esquecidas, e todo o propósito de existirem naquele momento se perdeu. Acendem uma centelha em nossa memória, mas é só. Talvez seja o único motivo de continuar a guardá-las. Como as cartas de amor que encontrei. Estúpidas, com seus discursos delirantes e melosos, mas com algum tipo de valor sagrado. Funcionam como uma máquina do tempo, uma relíquia jurássica que desperta nostalgia. Às vezes trazem à tona fatos que esquecemos há muito. Documentam nossa história.
Mas estou fazendo uma parcial queima-de-arquivo, já que não mais me importo com diversos dos objetos que fizeram minha vida. Hoje só ocupam espaço. Então que ocupem e sejam melhor utilizados em outros lugares. Não sei o que eles vão fazer com alguns desses itens, ainda mais porque a maioria foi para a AACD. Revistas de sacanagem? Ah, vou colocá-las no meio das revistas infantis, para ninguém ver. Uma prazerosa surpresa para as criancinhas! Como um Kinder Ovo Premium! Irão amar, ahahah. Claro. Claro que não vou fazer isso. Quero me livrar dessa tralha toda, pois é, mas vou ter que dar outro fim às revistas desse tipo! É material perigoso, como lixo tóxico ou um defunto que pode levantar suspeitas. Acho que vou picar, jogar na água, bater no liquidificador, passar o rolo encima e pendurar no varal. Disso irão surgir folhas recicladas, nas quais irei fazer desenhos coloridos e, aí sim, irei distribuir para as criancinhas! É! Isso parece a coisa mais certa a se fazer!
Dá-lhe uma: The Gathering - Broken Glass (Show dia 3 na Via Funchal!)
Dá-lhe duas: Essencialmente o que há de restar, afinal?
Dá-lhe três! Doado!: Você acaba de adquirir este post, um pedaço tátil de minha memória. Faça bom proveito!
postado por Felipe às
1:48 AM
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