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Segunda-feira, Janeiro 30, 2006
No post anterior me senti bem livre para escrever sem pensar duas vezes nas consequências. Não houve nenhuma visível, além do post da Nathália (poderia caprichar mais, né?), mas certamente causou impressões variadas em quem leu. Provavelmente negativas. Descrevi-me em situações maliciosas, escrevi palavrões, usei linguagem viciada e fui, em alguns pontos, bem radical e pessimista, apesar da ressalva final. A pergunta é "Eu sou assim?". Posso ser. "Sou só assim?". Não. Naquele momento estava fortemente influenciado pelo estilo de J.D. Salinger em O Apanhador no Campo de Centeio, o qual havia terminado de ler no mesmo dia. Então me espelhei nele e mandei brasa! Quem leu o livro vai encontrar várias referências e semelhanças temáticas. Mas saibam que posso escrever coisas bonitinhas, ter pensamentos positivos e ficar apaixonado também, ok? Hahah. Somos complexos e relativos demais para leituras rápidas, como eu escrevi no final do outro post. Não me julguem pricipitadamente. (O=
Agora, uma observação sobre blogs, especialmente os linkados ao meu. Estava querendo ver quais fantásticas aventuras, emocionantes relatos e edificantes mensagens estavam sendo escritas neles e me surpreendi ao descobrir que a maioria não existe mais ou está deveras desatualizada. Só um ou outro está na ativa. Muito triste. Apesar de ter parado de lê-los faz tempo, ficava animado ao saber que meus amigos também escreviam sobre coisas diversas. Escrever era o ponto. Gastavam minutos registrando suas vidas, dando suas impressões e materializando sentimentos. Mas acabou. O tempo, a vontade, o propósito. Tudo não passou de uma febre. Em seu ápice, fervilhou. Então foi putrefando e se decompondo - alguns ainda estão neste estado. Outros morreram há tempos, esquecidos. Devastou a maioria, é verdade, mas restaram alguns, como este. A febre passou e o Where Is My Mind? pretende seguir firme adiante, mesmo sem companheiros, observadores ou comentadores. Escrever é o bastante. Então... avante!
Na caixinha: Nashville Pussy - Keep On Fuckin'
Na cachola: "Se nos mantivermos calados pensarão que somos filósofos." - Anônimo
Na cartola: Novos rumos e novos eus.
postado por Felipe às
5:54 AM
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Domingo, Janeiro 22, 2006
A pequena rebolava bem na minha cara. Era uma loira, de talvez uns 17 anos. Tinha um belo decote e uns pernões infernais. Dava para ver tudo de baixo de sua saia jeans. Quer dizer, quando os sacanas desligavam as luzes não dava para ver muita coisa. Mas quando deixavam ligadas, ou quando algum espertalhão disparava um flash, dava para ver tudo. Sua calcinha era preta e, vejam só, ela usava um belo tampax branco por baixo. Ha! Continuou lá, fazendo show em cima da plataforma suspensa que cruzava o corredor que separava o bar da pista. Embaixo, uma diversidade de joselitos tirando fotos, até com celular. A loira parecia gostar e fingia que não se importava. Não era a primeira que estava fazendo isso, nem a única na plataforma. Havia outras, algumas igualmente de saia, inclusive mais curtas. Eu estava lá embaixo, com os josés, mas só olhando. Acho que era a única coisa interessante para se ver na boate. Quer dizer, o lugar não era deprimente nem nada. Era bem legal, eu até que gostei bastante. Mas não havia espetáculos visuais ao redor. Na pista de dança passava um filme, Velozes e Furiosos, em meia dúzia de TVs no teto, mas mal dava para enxergar. No lounge, vários clipes eram projetados em uma parede. Mas boate não é lugar de ficar vendo essas coisas. Pelo menos, não naquele tipo de boate, na qual o ambiente era dominado por uma bruma assassina e um som techno insano. O que se via por ali era gente pulando na pista, marmanjos acéfalos puxando as meninas pelos braços e cabelos, como na Idade da Pedra, e alguns casais se atracando na parede. Não havia muito o que se ver, realmente, e eu não estava disposto a ficar flertando com as garotas. Então fui ali para debaixo da plataforma. Não é sempre que essas coisas acontecem, eu acho. Pelo menos, não me lembro de ter visto coisa parecida nas baladas e festas que já fui. Mas talvez isso seja por eu não ir em muitas. Tenho aversão. É muita porcaria em um só lugar. Fumaça, destilados, barulho e gente, muita gente. Gente demais em um só lugar me deprime. Os indivíduos somem e resta apenas uma massa caótica. Mas não sei, talvez haja aspectos positivos em aglomerados. O que acontece é que nessas festas e baladas só tem gente exibida. Tetas para cá, músculos para lá. Roupas justas, acessórios hypes. Eu acho tudo isso um cu. Então você se aproxima de uma pessoas dessas, que está carimbada com o selo real na testa, e não consegue falar muita coisa. Primeiro porque ela está se achando muito. Segundo, porque você não é um indivíduo, mas uma ínfima fração de uma massa caótica. Terceiro, porque o som está muito alto. Começa-se, então, a gritar umas besteiras (que tipo de papo decente pode surgir em uma balada?) na orelha da outra pessoa, para tentar fazer um contato. Daí parte-se logo para ação, puxando alguma parte da pessoa que você acabou de conhecer profundamente com ou para alguma parte sua. Eu acho tudo isso um porre. Quando fatalmente acabo num lugar desses, geralmente fico em um canto, observando toda a palhaçada e ficando deprimido. Foi o que aconteceu neste meu natal e na minha virada de ano, ambos passados em restaurantes. Tudo era uma frescura e uma mentira e uma ilusão. De doer. Um monte de porcarias no mesmo lugar. Incrível como possa existir tantas porcarias assim juntas, sendo que cada conjunto e combinação recebem um nome diferente. Balada, natal, ano novo, mídia, indústria, política, relacionamentos. Eu fico fulo com a maioria das características dessas coisas. É assim que me sinto internamente. Revoltado com tudo. E com todos, também. Até comigo mesmo. Mas enfim, eu estava ali embaixo das pernocas da menina, não estava? É. Com sua calcinha preta e seu tampax branco. Estava apreciando aquilo. Estava bastante eufórico, para não dizer outra coisa. Era o máximo e, pensando agora, era um bocado deprimente, também. É esse tipo de paradoxo que estou enfrentando ultimamente. Gostei dessa balada, esta é a verdade. Acho que pela primeira vez na vida gostei de uma. Não só por esse showzinho na plataforma. Mas pelo calor humano que havia ali. Senti a vida. Vi a vida e seu fluxo que tampax algum poderia bloquear. Pessoas pulsando na pista de dança. Aquilo parecia um organismo vivo. Um coração batendo, enquanto as células se agitavam, indo e vindo pelas veias que eram os corredores, abastencendo-se no bar, limpando-se no banheiro, arranjando um par para continuar. Em um ciclo sem fim. Aquilo era a vida, ou uma parte dela. E talvez não devesse boicotá-la, como sempre fiz. Há algumas coisas que são um cu, mas coisas assim estão em todos os lugares. Como as coisas boas. Era bom estar ali, reencontrando amigos que não via há anos e dançando com eles. Era, apesar de seu lado vulgar, bom ver as entranhas da pequena na plataforma. É tudo uma questão de estado de espírito, eu acho. Ou talvez de que lado você está jogando. Estava me sentindo super-bem, por exemplo, nessa boate. Coisa que não sentia há meses. Não estava com a marca real na nuca, mas estava com a auto-estima elevada. Então me deixei levar. Suspendi meu juízo. E foi bom ver esse outro lado. Às vezes há muita injustiça ao se tecer comentários e fazer análises. Geralmente cai-se na superficialidade ou na parcialidade. Pois é. Cada vez me surpreendo mais em descobrir como tudo é tão complexo e relativo. É assim que são as coisas.
postado por Felipe às
7:00 AM
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Quinta-feira, Janeiro 19, 2006
Escreverei. Sobre o que ainda eu não sei.
Poderia ser sobre o tempo. Como é desperdiçado.
Poderia ser sobre as pessoas. Como são atarefadas.
Tanto tempo sobre a gente, tanta tempo para nada.
Tanta gente sobre o tempo, tanta gente não notada.
Como poder ser? Como pode ser assim?
Como assim? Como assim? Como assim?
Algo sem fim ser tão tão tão tão tão ruim?
Não importa, vou dormir. Boa noite!
Mas o quê? E acordar amanhã como um jumento?
Não, importa! Ou dormir ou boa noite!
Que seja, então! Boa noite escrevendo.
Sobre o quê? Ainda não sei.
Poderia ser sobre mulheres. Como são enigmáticas.
Poderia ser sobre paixões. Como são abandonadas.
Tantas mulheres sobre a gente, tantas mulheres que são largadas.
Quantas paixões há realmente? Tantas paixões indecifradas.
Por que é? Por que é assim?
É assim. É assim? É assim!
Deixa pra lá, paro aqui de escrever. Até a próxima!
Mas o quê? E voltar como um calhorda?
Devo continuar com as palavras! Pois, agora, agora eu já sei!
Vou escrever sobre muxoxos. É sim, sobre isso escreverei!
Um beijo, uma carícia, uma massagem no pézinho.
"Ai, que gostoso, lindinho!"
Mas. Não. Não, mas. Mas não se engane. Engane-se! Não! Mais!
Você pode ser apenas mais uma sobre o tempo. Tão ruim.
Alguém, assim, esquecível. É sim!
Você pode ser mais uma dentre tantas.
Parte inexprimível. É assim!
Pode ser a linda bela, a corajosa valente. Aquela jóia entre as mulheres.
Mas, ei, de redundância e de clichê tão tão tão tão pungetes!
Uma entre tantas, mas uma paixão improvável, talvez?
Uma paixão adormecida! Será que me enganei?
...
ACORDA!
Morta, talvez? Não sei. Você sabe? Não sei. Eu sei? Você não sabe.
ESCREVA! Escrevo. Dois pontos:
Apenas sei que escreverei que devo escrever sobre muxoxos.
Isso! Isso eu sei. Sei, sei, sei. Sei, sei. Pára, eu sei! Sei.
Então é sobre os beijos, as carícias e a massagem no pézinho. Sabe?
Tem um tempo? É, você. Dentre tantas pessoas.
Por que não outra? Um sentimento embriagado.
Faz um muxoxo em mim?
"Claro que sim!"
Hm... Hm...
Pois então é assim. Não é, não é ruim!
Obrigado. E agora eu vou dormir.
"Ah, não! Agora faz um muxoxo em mim!"
postado por Felipe às
2:14 AM
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