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Sábado, Junho 18, 2005
Olá! Abaixo seguem links para fotos sobre dor. Entenda por dor, neste caso, sangue, vísceras e morte. As fotos fazem parte de um trabalho feito para faculdade (Cinema, Análise da Imagem II) por mim e outras três pessoas. Tem como base o capítulo seis do livro Diante da Dor Dos Outros, de Susan Sontag. Nesse segmento a autora aborda a questão do voyeurismo das pessoas em relação a imagens violentas. Na exposição das fotos colocamos diante de cada uma um lenço preto com palavras que caracterizavam a natureza da imagem (Dor, Calamidade, Sofrimento, Crueldade, Maldade etc). O observador, movido por curiosidade, era incitado a levantar o pano. Aqui acontece algo parecido. O visitante sente a vontade de clicar nos links para satisfazer seu desejo de xeretagem. Bem, faça isso. Mas depois assuma a responsabilidade e diga como se sente 'diante da dor dos outros'.
O último pulo do coelho azul
Mergulho em chamas
O peixe atropelado (por um carrinho de supermercado)
O verdadeiro destino do patinho
Empalamento de um ser
A essência do Sr. Gorila
Membros e desmembros
Do que a vida é composta
Alguém. Quem? Amém!
Corpos desfigurados
postado por Felipe às
7:24 PM
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Sexta-feira, Junho 17, 2005
Olá, olá, olá! Mais uma manhã! Só que esta não será igual as outras, pois ela será interativa. É isso aí! A esta hora o jornal já deve estar na porta e isso só pode significar uma coisa................. que já digo! Antes, irei checar se ele está mesmo lá. (*vou sorrateiramente até a porta da frente, alivio as costas do tapete de boas-vindas e volto*). Vejamos... "Dirceu cai antes da reforma", "Governo blinda política econômica", "Robinho à frente, adeus à Grécia" e blá, blá, blá... cadê o Caderno 2? (*reviro quatro vezes o jornal*) Ahhh, achei! E com o Guia! É verdade, hoje é sexta! Tinha esquecido que vinha o Guia. Hm... então primeiro uma olhada nele... Capa: "São Paulo é pop: Andy Warhol no parque". Boa, tô afins de ver essa exposição. Só que me fez lembrar da prova de História da Arte que vou fazer segunda. A matéria é do semestre todo e cai Pop Art. Ainda não comecei estudar. Mas, enfim, não é um bom momento pra começar, já que passei a noite em branco... Hm... (*abro o Guia*). O que temos de filmes? Batman Begins, que tão falando muito bem e que eu pretendo ver hoje à noite... Hiroshima Mon Amour, que reestréia e preciso ver de novo... e hm... (*jogo o Guia em cima da cama*) mais uma porrada. Poxa, tô precisando voltar a ir ao cinema com maior frequência... Tô precisando voltar a fazer muita coisa, pra falar a verdade. É, inclusive falar o que significa o jornal estar na porta. Quer dizer apenas uma coisa: PALAVRA-CRUZADA! Ueba! Vamos à ela! (*pego o Caderno 2 e ranco a página das cruzadas*). Hm... (*pego a caneta*). "Tosquia"... sei lá que que é isso. "(?) King Cole, cantor dos EUA". Fácil! NAT. "Giro, em inglês." SPIN! Ih, não, faltou uma letra. (*olho no banco de ajuda: ROUND*) Ah, não sabia que também tinha esse sentido... Vejamos a próxima... "Pássaro canoro insetívoro (bras.)" com 15 letras. Virge! (*bocejo*). Hm...(*fico olhando as perguntas*) Não sei, num faço idéia, nunca ouvi falar, esqueci, daqui a pouco... (*20 minutos se passam*). Opa, descobri a do pássaro! SABIÁ LARANJEIRA! Tambéms fiz algumas outras e faltam... 7 espaços pra matar a cruzada! "Descascar". xExAR. Hm... no idea. "Santo padroeiro dos ourives". ExOx. Sei não. Hm... (*mais 15 minutos e uma ajuda do Google*). Só falta uma letra! O santo padroeiro era ELÓI e descascar era... bem, é justamente essa que falta! Surgiu mais uma letra na resposta: xELAR. Que raios? Seria FELAR? Só se fosse solitariamente, tipo "descascar o macaco". Hm.. RALAR? Não, a segunda letra tem que ser E. Seria então... GELAR, MELAR, PELAR, RELAR, SELAR, VELAR... sei lá, não encaixa nenhuma letra! Vai ver é alguma que não existe. Bem... deixa pra lá. Por ora. Porque amanhã vem as respostas! Um outro motivo pra ir atrás do jornal! E agora... (*desligando o computador*) [como, se ainda estou escrevendo?] {ah, apenas estou me adiantando no relato} rumo à cama! Inté!
postado por Felipe às
8:28 AM
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Quarta-feira, Junho 15, 2005
Trecho de um e-mail para uma pessoa querida:
Às vezes coloco toda a minha energia em algo, mas às vezes me ausento totalmente. Não em relação a algo determinado, mas a tudo. Ao escrever um texto, ao fazer um trabalho, ao dialogar em uma conversa. Nesses momentos de abstenção eu sinto um vazio enorme. Uma sensação de que posso produzir algo, mas que é mais fácil deixar-se conduzir pelos fatores externos, como um barco a esmo. Sinto o vento na cara, o cheiro do mar, o movimento das ondas, sensações agradáveis. Mas também sinto o medo de viver sem nunca chegar a lugar algum, seja ao paraíso ou ao inferno, mas a algum lugar. Na imensidão existem tantos, mas ao mesmo tempo existe um vazio infinito, salgado, azul. É fácil deixar-me guiar, engolir tudo que já foi produzido, preenchendo esse vazio com lembranças e sentimentos que não são meus. Abster-me de tudo também é simples, flutuar eternamente como um pedaço de madeira sem forma. Mas conduzir o barco, sem deixar que outros o façam ou que este vague sozinho, sem rumo, é o mais difícil. Experimentar o leme. Lapidar a matéria de forma única, a madeira e o mar. Atentar contra a vastidão. É algo que desejo, mas que ainda não consegui. Apesar disso, saber que existem estrelas que me guiam por entre tempestade e neblina talvez seja mais recompensador do que atingir um ideal que pode nunca se concretizar.
postado por Felipe às
9:10 PM
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