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Segunda-feira, Maio 30, 2005
Iria começar meu post com A cada dia me sinto mais angustiado. Acho que o motivo principal é não conseguir absorver o mundo. Há tantas pessoas, tantos lugares, tanta informação. Eu me sinto completamente deslocado, perdido e defasado frente a tudo. Devo buscar quem, ir onde, absorver o quê? Não sei. A inércia da vida me carrega e dita minhas escolhas, mas decidi parar por aí antes que a coisa piorasse e eu ficasse louco. Optei, então, por publicar algo que escrevi à toa no final do ano passado e que é provavelmente mais interessante e positivo que meus lamentos:
Para representar lembranças, penso em balões.
Quanto mais recentes são, mais estão cheios.
Murcham à medida que o tempo passa, mas não deixam de existir.
Às vezes o vento os sopra para longe, para detrás de árvores ou de nuvens.
Mas puxões em seus fios os trazem novamente à tona, resgatando-os.
Com uns poucos sopros de reminiscência, novamente estão altos na memória.
Flutuando por quanto durarem seus fôlegos.
Balões negros. Que não se quer mais recuperar, mas eliminar.
Com estilingues, com alfinetes. Bum! Bum!
Que não mais voarão alto na memória, é certo.
Mas que deixarão para trás suas borrachas flácidas.
Resquícios de memória.
Balões coloridos. Que têm a corda até desgastada de tanto serem puxados.
Que já têm a elasticidade esgotada de tanto serem insuflados.
Dependentes de um ar intenso dos pulmões para continuarem voando.
Bonitos e brilhantes balões.
Que estão sempre cheios para conduzir a viagens ao passado.
A um universo privado de expansão e sujeito à deterioração.
Balões que são, ao mesmo tempo, troféus, transporte, prisão.
Velhos balões. Que podem estourar na sua cara.
Que podem estourar em um vôo e fazer você quebrar a cara.
Balões que, no fim das contas, não servem para nada.
Então solte. Revolte. Não volte. Livre-se dos fios e das amarras.
Voe sozinho em busca de novos lugares, novas formas, novas cores.
Novos ares, normas, amores. Liberte-se das lembranças indesejadas.
Das lembranças que estragam. De todos os balões que são uma ameaça.
Não deixe, assim, que o presente, de jeito algum, se desfaça.
postado por Felipe às
10:57 PM
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Segunda-feira, Maio 16, 2005
Letras letras letras letras letras letras letras letras...
postado por Felipe às
2:27 AM
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