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Segunda-feira, Abril 04, 2005
Eu preciso acordar daqui a duas horas. A questão é que não há como eu acordar se eu não consigo dormir. Então aqui estou, tentando fazer o tempo parecer produtivo. Cansei de ficar rolando e suando na cama.
Estava lendo um post meu, de 2003. De quando eu tirei carta de motorista. Já era o meu terceiro teste e não queria pagar de novo R$90 para fazer outro. Felizmente não precisei. Mas agora esta história não importa. O que me faz escrever aqui e citar esse post é que ele é tudo o que meus últimos posts não são. Apaixonante, extenso, exato. Bem comentado, também. Talvez me faltem história boas para contar, talvez me falte vontade para contá-las. Talvez não seja nada disso.
O tempo é outro e agora só escrevo quando não consigo dormir. Quando a chuva cai, como agora, dissipando a fumaça dos céus e lavando a poeira das ruas. Quando a escuridão dá margem à imaginação e aos sonhos, deixando tudo inexato, vago. Não sei onde vim parar nem no que me transformei, mas continuo aqui e continuo eu. Talvez meio jogado sem nada para fazer, talvez meio encaminhado sem saber por onde começar. Ainda não decidi.
Gostaria de falar de milhares de coisas. Não falaria por gostar das coisas, mas apenas por falar. Para ser escutado. Escrever. Ser lido. Sentir minha existência. Conferir que alguém se importa. E entende. De verdade.
Mas não tenho falado. Nem escrito. Não tenho existido. Tornei-me um borrão de mim mesmo, inexato. Perdi não só a bússola, mas também o mapa e a rédea da minha realidade e da minha consciência. Um fantasma a espiar mundos alheios. Parasita invisível. Perdi, mais que tudo, meu eu.
E agora escrevo. À toa. Palavras inexatas, perdidas. Rastros de um fluxo estomacal que se revolta e sai pela boca. Massa disforme e fétida. Que vai. E volta. Que engulo e digiro novamente. Que não deixa o meu corpo.
Pasta decomposta e fria. Não aguento mais o seu sabor.
postado por Felipe às
3:56 AM
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